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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Caminho >>>

Quem não sabe onde pisa não deveria nem andar
Para onde será que ruma?
O cheiro da terra molhada já não é como antes
As vias do progresso ficaram turvas
Se faz parte do sistema por qual motivo é combatidos?
Os grandes problemas não são mera coincidência
Pelas palavras que profere não duvido que o rejeitem
O lado do problema conflita conforme o caráter de quem narra
Inversões dos pés trocados confundem o andar da carruagem
Pois o medo e o desatino são fortes e não perdoam!

Diego.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A cantora de Rumba >>>

Mais uma vez se apresentava no palco minúsculo de uma boate, não era aquilo que sonhara, nem o que chamava de vida, Martina foi ao camarim trocar o figurino e retocar a maquiagem, mas aos quarenta anos já não estava mais com tudo em cima. Voltou ao palco. A mesma boate há quinze anos, o mesmo antro com perdidos e fuleiros, os poucos trocados e aquela fumaça cheirosa, Martina ainda sentia náuseas com aquela fumaça. No fim do show, sentou-se na copa, tomou uma dose de tequila, orientou o barman que deixasse a garrafa ali, fumou uma cigarrilha enquanto entornava seu vício.

Martina era uma ótima cantora, apaixonada por rumba, mexicana, perdeu uma grande oportunidade de ser uma estrela, no começo da carreira tinha recebido uma proposta de ir até a América do Norte para cantar músicas apelativamente populares em troca de um bom contrato, fama, bebidas caras, drogas caras e com certeza com o dever de ir para a cama com os dirigentes das gravadoras, empresários ou qualquer um que fosse que eles mandassem. Mas Martina era uma mulher de valor e nunca transaria por fama, quisera o prazer de fazer o que amava. Cada vez que subia no palco Martina Herrera brilhava, sentia prazer, se deliciava com sua música, dançava, cantava e emocionava, era a entrega total, uma paixão visceral.

Já bebendo a quinta dose de tequila, ria de canto de boca, imaginando a vida que levaria caso tivesse aceitado aquela proposta, Martina sabia que nunca seria feliz, imaginava que teria um filho e não saberia quem era o pai, imaginava que morreria de desgosto ou overdose, mas não! Ali estava ela, ferrada, bêbada, mas com a alegria de fazer o que gostava, orgulhava-se da sua fibra.

Bateu a cinza da cigarrilha, bebeu o último gole da tequila, tomou um comprimido e subiu no palco, outro show começaria, lá voltou Martina Herrera a fazer amor com sua rumba, a sonhar em terminar seus dias naquele belo gingado. Sem arrependimento.

10/07/2005
Diego.

sábado, 16 de maio de 2009

12 de 08 >>>

A última lembrança dela que me vem à mente, é de quão feliz estivera, enfiada naquele jeans preto e blusinha decotada, antes de embarcar naquele ônibus, fiquei perplexo ante o belo sorriso, que ainda acho, encobre uma imensa e profunda tristeza, o adeus furtivo aliado ao lindo sorriso e ao obscuro olhar me fizeram ficar em transe e por alguns segundos tive a impressão que o mundo inteiro havia parado, mas logo voltei ao normal, fiquei com o olhar perdido, zunindo lembranças adentro e rompendo minha imaginação! Dei um berro. Parecia que toda excitação possível saía pelos meus poros, eu ofegava e sorria, delirava.
Ela, uma loira jovem, bonita, de cabelos extremamente longos e propositadamente desgrenhados, ondulando um belo balanço, olhos redondos, bem desenhados e de uma “cinzentice – esverdeada” assustadoramente penosa, obscura e poética, ofertava sorrisos fartos, deixando à mostra toda sua enorme arcada dentária, era de fala fácil e uma simpatia fora de comum, sabia da voz e do silêncio, não extremamente extrovertida, tão pouco apática, dura em questionamentos e imposições e posições.
Lembro que o mês era agosto quando nos conhecemos, chamava-se Karen, e foi imediato! Sabíamos que deveríamos zarpar noite adentro e deslizamos dentro de bares de todos os tipos, nos arrastamos por ruas entristecidas, bebemos e sorrimos, fizemos da diversão uma coisa natural. Aquele encontro havia sido incrivelmente decisivo, pois mesmo sem termos falado, resolvemos que seríamos amigos pelo resto de nossas vidas, e cada momento que passávamos juntos se tornava único e inesperado e eu achava insuperável, mas logo vinha outro, tão emocionante quanto aquele, e assim a vida se desenrolava, enquanto a amizade se fazia.
Entre noites e dias, andamos a pé e de carro, dormimos em praias e varandas, provamos tragos e tomamos pileques, sempre rindo de rolar enquanto rolava um desvairado som! Desbravamos um mundo de sons e ruídos, viajamos curtindo rock e ventando pela noite litorânea “voacenta” do Rio Grande do Sul, cantamos, dançamos, rimos, choramos, discutimos... Sem tabus, preconceitos ou climas. Andamos pela beira da praia molhando os pés durante horas sem trocarmos uma só palavra, até o sol se pôr, e sentamos, permanecendo sentados até o dia amanhecer, ainda quietos.
Nos apreciamos sem aquela maldade que todos sempre viam, nem ligamos para as insinuações, fomos aquilo que tivemos que ser, nem mais nem menos, amigos e isto bastava, enquanto trocávamos insultos e rangíamos os dentes de raiva, ou simples como aquele abraço apertado e fiel, e confidente, ou duro como aquele olhar de reprovação. Aprendi com Karen que eu, um homem, podia sim ser amigo de uma linda garota, sem problema algum, só a beleza de uma amizade.
Ela embarcou, dez anos depois que nos conhecemos, igual a todo o fim de verão, subindo sem mais olhar para trás, apenas deixando guardada na memória uma série de boas lembranças e uma amizade de toda a vida, ainda lembro dos olhos nossos, melancólicos, cheios de lágrimas e enfrentando a dura e antipática missão de ter que dar adeus. Três anos, desde que vi aquele ônibus virar a esquina levando minha amiga de volta ao seu mundo. Ainda nos comunicamos seguidamente e fico muito feliz de saber que ela está bem, é muito divertido ver como ela se dá bem com minha namorada e eu com o namorado dela, ainda iremos aprontar muitas outras, juntos, eu com meu amor, ela com o amor dela, curtindo a melhor festa do mundo e celebrando a amizade.

05/09/2005.

sábado, 14 de março de 2009

Primordial >>>

você em vazios
sintomas de ocasiões
ocasionais medos
entre espelhos
de fundos profundos
escuros
sem puros passos...
casos de tempos
há tempos
são tempos que passam
incerto, que dentro está impedido
parado atrás
que faz temporais
tempestades de escaldantes friagens
onde a repetição torna-se um momento incerto
pequeno
impedido
parado
tempestuoso
repetitivo louvor e esperança
de lado agora deixadas
de ante mão planejada
de onde surgida?
de amada
perdida
corra dos vazios em você

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O paraíso >>>

Júlia acordou com um suave beijo em sua testa e uma carícia na sua barriga, lentamente abriu os olhos deixando a luz do sol fazer completo seu despertar, ainda estava nua, beijou sensualmente, sentou na cama deixando seu dorso a mostra, recebeu um belo café na cama, repleto de guloseimas e com lindas flores... Sorriu.
Recebera na noite anterior, flores e um cartão anônimos, Júlia era solteira e de uma beleza um tanto comum, se preocupava mais em não ser fútil ou vazia e apesar de não crer no amor ficou super feliz e entusiasmada com a declaração que recebera. O bilhete dizia o seguinte, “Cara Júlia, bom dia! Espero que tenha um lindo dia e que seja sempre linda e inspiradora, admiro seu sorriso, olhar, andar e falar! Se quiser me conhecer estarei no restaurante Cactu’s às vinte e uma horas, beijo e abraço, espero te encontrar”.
Júlia se vestiu de uma formosa maneira e foi ao restaurante, ela entra e acomoda-se em uma mesa, achou por um segundo que havia recebido um trote, quando uma pessoa se aproximou e pediu permissão para sentar, ela, sempre gentil, assentiu!
Conversaram, a pessoa se identificou como autor do cartão e responsável pelo envio das flores, jantaram frutos do mar, tomaram vinho e falaram por horas.
Os dois saíram dali e foram andar, tomaram mais vinho e brindaram, rolaram de rir, até que se beijaram e sorriram e se abraçaram, deitaram e abraçados adormeceram.
Júlia acordou com um suave beijo em sua testa e uma carícia em sua barriga, segurou os olhos fechados para curtir um pouquinho do paraíso.


Diego.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Oxigenando >>>

Andava mais uma vez me arrastando pela rua, bem no meio da manhã, horário em que somente os vagabundos, transviados, imprestáveis e ofice boys transitam e isso não era muito bom, pois sabendo que eu não era boy, nem transviado, me restavam duas classificações. Mas eu não me importava muito, procurava nem ficar divagando sobre esse assunto que só tomava o meu tempo.
Me sentia bem, pois tinha acabado de ser grosseiro com uma putinha metida a besta, mandei-a tomar no rabo, acho que seguirá meu conselho. Enfim. Eu saíra para ver um emprego e gostei muito do lugar que fui, acho que estou no caminho para me sentir melhor, no outro lugar que fui eu não achei muito bom – era um local sujo, fedia a mofo e tinha manchas de bolor nas paredes – quem me recepcionou foi uma bonita mulher, não muito bonita, simplesmente bonita, mas não possuía um dente cariado para contar a história daquela boca imunda. Ela me encaminhou para o gerente, que tinha um jeito de bicha enrustida, tratava as pessoas como retardadas e usava uma peruca mal colocada – o que me deixava com vontade de rir. Ele falou durante horas e eu tentei ser o mais sincero possível, mas não adiantava, aquela maldita dor no calcanhar, causada pelo sapato novo que machucava o meu pé, me fazia um tanto monossilábico.
Voltando para casa, de camisa no ombro e mancando, reparei numa mulher que não parava de me olhar, era uma loira de farmácia com seus quarenta anos e usava uma blusa – que muito provavelmente era de sua filha, pois além de pequena e justa, a camisa era de uma destas bandas jovens e modistas – acho que ela queria trepar, mas com aquela barriga escrota adornada com um piercing ridículo ela só me faria brochar. Segui.

Diego.

Resolvi postar este, para inaugurar a fase de contos do tri buenas pois acho que ele seja ácido o sufuciente para fazer todos pensar...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Acerca de ser


Onde posso me esconder?
Como posso me sentir?
Sinto bem como me faço
Esconderijo pronto! Mas onde?

Pois estou sentindo que não há
Nada para se dizer
Provavelmente não sou
O que ela quer que eu seja

Quando o grito sai
Quando tudo se retrai
Fora bem com me faço
Tímido por causa de tudo

Pois eu não sinto
O que mais se tem a dizer?
Lágrimas caem
Sob um sorriso

Diego.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cereal Killer

* A história de um floco de milho assassino *


Notava-se pela maneira cabulosa que ele se aproximava
Os ruídos emitidos eram sombrios e causavam arrepios
- ossos quebrando ... trincando nos dentes -
Amarelo pálido, nunca solitário - agia em bando
Grudava no palato e provocava engasgo, arranhava!
Quando com líquido, afogava deixando sem ar
Dava idéia de ser para o bem, e se aproveitava desta fama
Matava e não se sentia saciado, queria mais e mais
Lutava enquanto podia, mas algumas vezes era vencido
E assim terminava a vida de um "Sucrilhos" assassino


Diego.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Lucia tem que morrer


As escuras fumava um cigarro furtado da bolsa da empregada da família, acreditava que ninguém desconfiasse do cheiro do fumo em seu cabelo e que Margarete não notaria os três cigarros que faltavam no maço. Lucia perdera a mãe poucos meses atrás, pois esta fugiu com um afair estrangeiro, já seu, pai dedicava-se o quanto podia, mas para Lucia ele sempre foi um homem insuficiente.

Era uma época que Lucia pretendia livrar-se do rótulo que desde muito novinha recebera, não queria mais ser a menina-modelo, exemplo de responsabilidade e obediência, e foi por desobedecer que ela fingiu não ouvir seu pai que dizia ao telefone para que ela voltasse pra casa depois da sua aula na faculdade, mas Lucia disse que iria para casa de sua amiga e seu pai desistiu de argumentar.

Lucia desligou o aparelho e sorriu para o belo jovem que conhecera uns dias atrás, o rapaz a convenceu de ir para o apartamento dele e ela convenceu-se de que seria bom, Lucia era linda, recém havia chegado a maioridade e sem fôlego esboçava uns gritos enquanto o rapaz apertava seu pescoço e sussurrava:
-Lucia, você tem que morrer!

Diego.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Mãos unidas [conto]:


Vi no blog A CRONISTA essa brincadeira e resolvi fazer aqui, funciona assim: É um texto escrito em conjunto, eu começo e os 12 [doze] primeiros que comentarem dão continuidade, bom não deve ser escrito mais de um parágrafo nem deve-se complicar a vida demais para o próximo.

Antes de colocarem o parágrafo que lhe é de direito, por favor numerem ok?


exemplo:
01)

blablablablablablablablablablablablablablablabla
blablablablablablablablablablablablablablablabla
blablablablablablablablablablablablablablablabla
blablablablablablablablablablablablablablablabla
blablablablablablablablablablablablablablablabla.


O título vai ser decidido no final e serão aceitas sujestões, depois de encerrado será publicado o texto integralmente. Lembrem-se, o texto deverá ser concluído no número 12.

Ninguém é obrigado a participar, mas caso participem ... fica aqui o registro que foi autorizada a publicação posterior de suas palavras.

Vamos ao texto:

01)

Yasmine acordava sempre após as dezoito horas, tomava a segunda ducha do dia e saía para o ganha pão, vestia blusa lilás e calça preta, o cabelo era solto e de um brilho ímpar. Costumeiramente, tomava a mesma condução e aborrecia-se com os olhares famintos que sobre ela eram lançados, mas procurava manter-se discreta.


Diego.

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